TERESA DIAS COELHO

There is a crack in everything. That’s how the light gets in

Carlos N Correa

 

 

 

Dans la chambre peinte des artistes d’autrefois, il était courant que des figures dissemblables, sur chacun des murs, fissent allusion avec le même geste à un seul centre, à un seul hôte absent ou présent.

Cristina Campo/ Les Impardonnables

 

Revenons en arrière, portons-nous à l’autre extremité de cette vie.

Michel Schneider/ La tombée du jour

 

Há uma névoa nos olhos quando olhamos para trás

 

Estas imagens desenhadas anunciam um fim da representação e um princípio do esquecimento. Memória e esquecimento. Representar é figurar o impossível e o esquecimento uma pequena morte. Não sei se estes desenhos turvos, repassados de água, ajudam a ver a árvore, a noite ou os quartos de que nos lembramos.

Podia ser uma série policial que remetesse para uma incógnita. Quem, destes vultos/personagens, quase fantasmas, estará enfim envolto nas sombras de um filme roto? Todos certamente. Mesmo aqueles que de costas voltadas olham quase nada (o fim da representação ou o princípio de um eterno esquecimento).

(E) as molduras que encerram os rostos daqueles que nos são queridos e que permanecem no tempo, só porque a luz exterior ilumina a alma da casa que os acolhe.

Que teoria sustenta estes desenhos?

Une fois le but atteint, elle devrait recommencer au début...le chaos au sistème, puis un nouveau chaos”.

“Je ne puis donner de ma personnalité auncun autre échantillon qu’un système de fragments, parce que je suis mois-même quelque chose de ce genre”. (Fr.Shlegel)

Desenhar dói. O corpo fica tenso e a mão não toca o papel, só os dedos movem o movimento do claro-escuro.

Qual será a decisão (quando andamos de bicicleta): olhar para trás ou ir em frente às cegas?

 

Carlos N Correa

2021

© 2017 Teresa Dias Coelho