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TERESA DIAS COELHO

Entre os lugares

Tiago Salazar

 

 

«Los viajes son una metáfora, una réplica terrenal del único viaje que de verdade importa: el viaje interior. El viajero peregrino se dirige, mas allá del último horizonte, hacia una meta que ya está presente en lo más íntimo de su ser, aunque aún siga oculta a su mirada. Se trata de descobrir esa meta, que equivale a descobrir-se a sí mismo; no se trata de conocer al outro». Javier Moro

 

 

A viagem é menos de atravessar países do que ser atravessado por eles. Enquanto a viagem vai, o corvo muda de ramada, a cobra espreguiça-se do lago à contra-costa, a nuvem vol au vent, o sentimento une-se ao pensamento (e juntos se evolam como duas comadres de longa data), então dizemos, como diz Teresa à boleia de Barthes. "Só quero fazer viagens em que não tenha tempo de dizer: quero voltar para casa!".

 

Vamos todos viajantes como cães à deriva. O viajante, o que parte sem pressa, todo ele é matilha heterónima que se arreganha no desconhecido. Há breu, postes de alta tensão, escarpas, pedregulhos, ravinas, árvores desossadas. Há a latência da emboscada, o abismo da curva na estrada. Há a calma medonha no seio da tempestade. Entre o lugar de partida e chegada surge então a rocha ociosa, o posto dos observadores de mundos. A gávea, o mirhab, o farol onde Teresa demora o olhar para lá da mais negra escuridão. Ver, amar, viajar são experiências do indizível, raízes e fundamentos da criação do mundo. No estado das coisas de Teresa haverá sempre o preto e branco de Wim Wenders, Judas e Brutus, mas também a luz azul da Fada Oriana.

 

 

Tiago Salazar

2010

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