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TERESA DIAS COELHO

Cartografias

Rita Gonzaga

 

 

Como o realismo pode ser tão projectivo e, por isso mesmo, tão subjectivo também.

Falando de Gestalt, aqui temos um excelente exemplo: a forma e o fundo. Ver a forma e o fundo alternadamente remete-nos para sensações e referências diferentes. A forma são troncos e ramos de árvores no contraste com a luz, ramos contínuos e descontínuos, conjuntos de folhas mais ou menos aglomerados, folhas soltas. O fundo são ilhas, arquipélagos e continentes à deriva num jogo de continuidade e descontinuidade face a um possível padrão (real ou criado por nós?).

Olhar para as copas das árvores de baixo para cima, protegidos pelo seu calor abrigado, que também pode ser um refúgio de frescura, é um óptimo exercício de relaxamento. Aqui a oportunidade é colocada diante dos nossos olhos com todo o cuidado. Camada sobre camada de tinta até chegar àquele tom – que é absolutamente neutro, efémero e carregado de poesia.

O que se vê abre um caminho de tal forma directo para o nosso subconsciente, buscando as nossas próprias memórias e emoções, pelo seu poder sugestivo de hiper-realidade, que tanto pode ser uma experiência apaziguadora e suave como altamente intrigante e isto tanto pode acontecer de pessoa para pessoa, como de quadro para quadro.

 

 

Rita Gonzaga

2004

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